O Estado

Impostos e contas públicas

O debate tributário brasileiro cabe em duas perguntas: quem paga a conta e o que o governo faz com o dinheiro.

O que está acontecendo agora

Buscando manchetes de hoje…
  1. 31 ago 2026

    Governo estima arrecadar R$ 636 bilhões com a CBS em 2027

    O projeto de Orçamento já traz o novo tributo federal da reforma como principal fonte de receita do consumo — sinal de que a transição sai do papel de vez no ano que vem.

    Ler no G1
  2. Ao longo de 2026

    Primeiro ano da reforma é de teste: nota fiscal já traz CBS e IBS

    As empresas começaram a destacar os novos impostos nos documentos fiscais, sem cobrança efetiva relevante. É a fase de adaptação de sistemas antes de a cobrança valer para valer.

    Ler no Exame
  3. 30 abr 2026

    Fazenda detalha como será a cobrança da CBS e do IBS

    O recolhimento passa a ser automático no momento do pagamento, começando por Pix e boleto — o chamado split payment, que separa o imposto na hora da transação.

    Ler no Agência Brasil

Você paga muito mais imposto do que imagina

Boa parte do que o brasileiro paga não aparece em nenhum boleto: está embutida no preço do arroz, da conta de luz e da roupa. São os impostos sobre consumo.

Esse desenho tem um efeito conhecido: quem ganha pouco compromete uma fatia maior da renda com tributos do que quem ganha muito, porque gasta praticamente tudo o que recebe. É o que se chama de sistema regressivo.

Do outro lado está a tributação sobre renda (o Imposto de Renda) e sobre patrimônio (IPTU, IPVA, ITCMD). No Brasil, historicamente, ela pesa menos no total arrecadado do que na maioria dos países ricos.

A reforma tributária, sem sopa de letrinhas

A reforma aprovada em 2023 muda os impostos sobre consumo. Cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) dão lugar a um modelo de IVA dual: a CBS, federal, e o IBS, de estados e municípios, mais um Imposto Seletivo sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Duas mudanças práticas: o imposto passa a ser cobrado no destino (onde o produto é consumido, não onde é fabricado), o que reduz a guerra fiscal entre estados; e vira não cumulativo de verdade — a empresa desconta tudo o que já foi pago nas etapas anteriores, em vez de imposto sobre imposto.

Existe ainda o cashback, devolução de parte do tributo para famílias de baixa renda, e alíquotas reduzidas ou zeradas para itens como parte da cesta básica. A transição é longa e acontece por etapas ao longo dos próximos anos, com regulamentação sendo definida por leis complementares.

Déficit, dívida e arcabouço fiscal

Resultado primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros da dívida. Negativo = déficit; positivo = superávit.

Dívida pública é o acumulado de todos os déficits anteriores. Ela costuma ser comparada ao PIB, porque o que importa não é o valor absoluto e sim se o país consegue carregá-la.

O arcabouço fiscal, em vigor desde 2023, é a regra que limita quanto a despesa pode crescer por ano e fixa metas de resultado primário. Toda discussão sobre "espaço no Orçamento", crédito extraordinário ou mudança de meta gira em torno dele.

CBS / IBS
Os dois novos impostos sobre consumo da reforma.
Carga tributária
Total arrecadado em impostos dividido pelo PIB do país.
Déficit primário
Governo gastou mais do que arrecadou, antes dos juros da dívida.
LOA / LDO
As leis que definem o Orçamento do ano e suas diretrizes.

Onde conferir