O poder

Escândalos e política

Escândalo no Brasil raramente é um evento: é um processo longo, com etapas que a manchete costuma embaralhar.

O que está acontecendo agora

Buscando manchetes de hoje…
  1. 3 set 2026

    Relatório da PF com mensagens do caso Banco Master abala o STF

    Um relatório da Polícia Federal revelou diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Especialistas discutem os limites da atuação dos ministros envolvidos.

    Ler no O Globo
  2. 1º set 2026

    Abertura de investigação sobre ministro depende do plenário

    Pelo regimento do STF, cabe aos onze ministros autorizar a investigação de um integrante da Corte. A PGR tem prazo para se manifestar e o presidente do tribunal marca o julgamento — um bom exemplo de que denúncia ainda não é processo.

    Ler no O Globo
  3. 2 set 2026

    Crise chega em ano eleitoral e reacende discurso de impeachment

    Parte dos ministros avalia que o episódio abre uma crise sem precedentes na Corte às vésperas da eleição, com pressão política sobre o Supremo.

    Ler no Valor Econômico

A escada de um caso, degrau por degrau

1. Suspeita ou reportagem. Alguém publica documentos, áudios ou dados. Não é acusação formal — é jornalismo.

2. Investigação. Polícia Federal, Ministério Público ou tribunais de contas abrem apuração. Aqui aparecem busca e apreensão, delação premiada e sigilo quebrado. Ainda ninguém é réu.

3. Denúncia. O Ministério Público formaliza a acusação. Se o juiz aceita, a pessoa vira — o que significa que vai responder ao processo, não que é culpada.

4. Julgamento e recursos. Condenação em primeira instância pode ser revertida. Só depois do trânsito em julgado, quando não cabe mais recurso, o caso está definitivamente encerrado.

Boa parte da confusão pública nasce de tratar o degrau 2 como se fosse o 4 — em qualquer direção do espectro político.

Quem é quem

Ministério Público acusa. Polícia Federal investiga. Judiciário julga. Tribunal de Contas da União fiscaliza o dinheiro público e pode apontar irregularidade sem que haja crime. CPI é uma comissão do Legislativo: ela investiga e produz um relatório com sugestões de indiciamento, mas não condena ninguém.

No STF, decisões podem ser tomadas em plenário, em turmas de cinco ministros ou individualmente (decisão monocrática, frequentemente uma liminar, que é provisória e pode cair depois).

Como checar sozinho

Quase tudo é público. Andamento de processo aparece nos sites dos tribunais; contratos e repasses federais, no Portal da Transparência; votos e emendas de parlamentares, nos sites da Câmara e do Senado.

Regra prática: se uma informação circula apenas em redes sociais e não é confirmada por nenhum veículo com endereço, telefone e responsável, trate como boato até segunda ordem. Agências de checagem podem ajudar, mas o padrão-ouro é sempre o documento original.

Indiciado
Apontado pela polícia como suspeito ao fim do inquérito.
Réu
Teve a denúncia aceita pela Justiça e responde ao processo.
Liminar
Decisão provisória e urgente, tomada antes do julgamento.
Trânsito em julgado
Fim da linha: não cabem mais recursos na decisão.

Fontes primárias